Flávia Cohen, Laura Guimarães e Gustavo Niemeyer
Como se precaver dos ataques às redes que circulam na Internet e, assim, resguardar os nossos dados pessoais mantendo a privacidade de direito de qualquer cidadão? Este foi um dos focos do primeiro dia do evento Cyber Security, que aconteceu nesta quarta-feira (23/11) no hotel Atlântica Windsor, em Copacabana, Rio de Janeiro, e que tem como premissa discutir assuntos relacionados à Segurança Cibernética. Este é um tema muito em voga atualmente por conta dos grandes avanços tecnológicos e problemas gerados com o aumento exponencial do número de usuários da Internet. O presidente do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj), Paulo Coelho, foi um dos convidados da cerimônia de abertura.
O presidente do Proderj, Paulo Coelho, ressalta que é através da academia, por exemplo, que surgem os grandes Centros de Pesquisa e, consequentemente, importantes ferramentas tecnológicas.
- A segurança ganha proporção devido ao uso cada vez maior de serviços eletrônicos. Por isso, temos que andar de braços dados na questão da segurança da Internet para salvaguardar as informações de governo que circulam em rede e os dados pessoais de todos os cidadãos. E é porque defendemos a modernização da gestão pública e a boa prestação de serviços à população que o Proderj vem se engajando constantemente na segurança cibernética – ressaltou Paulo Coelho, que ainda comentou a importância de se ter dados abertos para maior transparência e acessibilidade das informações.
Estiveram presentes também na mesa de abertura o presidente da Empresa Municipal de Informática (IplanRio), Ricardo de Oliveira, o presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro (Seprorj), Benito Paret, o diretor do
Departamento de Ciência e Tecnologia Industrial do Ministério da
Defesa, o Major Brigadeiro Alvaro Knupp e o General de Brigada Marconi dos Reis Bezerra do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
Ainda na parte da manhã, no painel “A Nova Moeda da Internet: os seus dados”, o secretário Geral da Comissão de Direito e Tecnologia da Informação da OAB-RJ, Walter Capanema, apresentou algumas causas e efeitos do uso cada vez mais maciço da Internet e como a invasão da publicidade está ligada à evasão da privacidade. E isso acontece porque, de acordo com o advogado, a grande fonte de renda da Internet é a publicidade.
Segundo Capanema, somente este ano o gasto da Internet com a publicidade foi da ordem de R$ 130 bilhões de reais, o que representa um aumento de 15% em relação ao ano de 2010. Isso é sinal de que, mesmo com os grandes problemas financeiros por que passam os Estados Unidos e países da Europa, as pessoas estão cada vez mais dependentes das inúmeras possibilidades proporcionadas pela Internet e consumistas.
De acordo com ele, dados das duas maiores empresas de Informática do mundo, Google e a rede social Facebook, comprovam estas informações, como: 97% da receita do Google é oriunda da publicidade e o faturamento do Facebook no ano de 2011 com publicidade foi de US$ 3,8 bilhões de dólares.
- Todas essas informações nos mostram que, ao contrário da Televisão que trabalha com estimativas, a Internet tem o seu público-alvo muito bem definido, já que pequenas ações das pessoas em endereços eletrônicos desenham com facilidade seus perfis, o que torna a publicidade na Internet bastante personalizada. Na Internet, não existem informações sem importância, diversas informações consideradas irrelevantes pelo usuário podem gerar uma grande informação relevante tanto para o bem quanto para o mal. No caso das redes sociais, elas oferecem um serviço gratuito em troca da privacidade do usuário – destacou Capanema.
Por conta disso tudo, faz-se necessário ter uma boa política de segurança na Internet para que os dados pessoais dos cidadãos e sigilosos de instituições não fiquem à mercê de qualquer site e nas mãos de uma única empresa, como é o caso do Facebook que, segundo Capanema, pode ser facilmente considerado como o maior banco de dados humanos do mundo. Para ele, o melhor modelo de Lei é o da Australia que diz que as informações dos usuários só poderão ser fornecidas mediante sua autorização. É necessário que haja leis mais eficazes e maiores cuidados por parte dos usuários para que a Internet não se torne uma inimiga.
Paulo Coelho ainda mediou o debate “Política Nacional de Segurança Cibernética -“Livro Branco” dizendo que é preciso criar uma mobilização para divulgar o “Livro Verde”, publicado em dezembro de 2010 pelo DSIC –
Departamento de Segurança da Informação e Comunicações, ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Lá estão diversas diretrizes sobre segurança da informação. Este livro servirá de base para a criação do Livro Branco que vai conter toda a Política Nacional de Segurança Cibernética no Brasil.
- O espaço cibernético não tem fronteiras claramente definidas, impacta a todos, desde agentes de governo, empresas privadas e os cidadãos. Com a elevada convergência tecnológica, no uso cada vez maior de dispositivos eletrônicos como celular, Ipad, smarthphones, aumenta a vulnerabilidade da segurança nas redes e é por isso que temos que nos mobilizar para divulgar o livro verde e aproveitar a oportunidade desse evento para discutir o tema – alertou Coelho.
O Gerente de Divisão da Diretoria de Gestão da Segurança do Banco do Brasil, André Moreira, falou dos riscos de violação da segurança que qualquer instituição financeira enfrenta como abertura de contas frias, lavagem de dinheiro, roubo de senha e outros atos ilícitos. “Nessa hora não somos concorrentes”, referiu-se ao fato de que os bancos trocam informações constantemente a respeito das melhores práticas e procedimentos de segurança para evitar esse tipo de ataque.
Já Bruno Salgado, dono da empresa de segurança cibernética Clavis, destacou que não existe nenhum sistema 100% seguro e que sai mais barato prevenir do que remediar, lembrando que muitas vezes o treinamento constante de pessoas é mais importante do que a tecnologia. “Segurança da informação não é apenas tecnologia”, disse.
O General Marconi avisou que o departamento ainda está aceitando sugestões para a elaboração do livro branco. O Presidente do SERPRO, Marcos Mazoni defendeu a articulação entre os órgãos para melhorar a segurança da informação, principalmente,pelos grandes eventos que o Rio vai receber, como a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontecerá em 2012.
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