Artigo publicado no jornal O GLOBO em 30/01/2010
Muito se fala nas oportunidades “reais” que a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos criarão para o Rio de Janeiro. Novos empregos, investimentos em segurança, transporte e infraestrutura, além do aumento considerável da exposição da cidade no exterior. Mas chamo a atenção para as possibilidades do uso intenso de recursos interativos e “virtuais”, que serão suscitadas por esses grandes eventos. É o momento oportuno para a consolidação do Rio de janeiro como um pólo de excelência em convergência digital.
Nessa nova era da economia do conhecimento, prevalece a capacidade de um país, estado ou cidade potencializar e comercializar bens intangíveis, tais como softwares, know-how e conteúdos, principalmente os digitais.
Bens em que o valor é o poder de criatividade e inovação. Matéria-prima não nos falta: o Estado do Rio de Janeiro tem o maior número de doutores e pesquisadores per capita do país. Tem, portanto, enorme potencial para a geração de processos e produtos inovadores. A concentração no nosso estado – em um perímetro relativamente pequeno – de universidades e institutos de pesquisas, como UFRJ, Uerj, UNI-Rio, entre outros, é fato marcante que devemos levar em consideração para a criação de um ambiente focado na produção de projetos e soluções.
Para crescer, é preciso expolorar vocações. Onde somo bons? Como somos diferentes? Hoje, o Rio de Janeiro é sede de importantes veículos de comunicação. É destaque no setor audivisual. Estão no Rio as principais empresas de telecomunicações do país. Aqui temos uma base importante de pequenas e médias empresas de software, desenvolvendo aplicações inovadoras. São os ingredientes essenciais para o Rio se posicionar como referência internacional na área da convergência digital. Diria até mesmo, que é a grande oportunidade para a nossa cidade, o nosso estado se consolidar como a capital brasileira da nova Sociedade do Conhecimento.
Acresce a estes fatores, a criatividade como uma marca carioca. O Rio foi berço da bossa nova e do cinema novo nos anos 60/70. Agora, constata-se uma nova onda de ebulição de talentos criativos, focados nesta nova era. Aqui temos grupos culturais e artísticos, com projeção internacional, gerando conteúdos e identidades bem brasileiras, com forte destaque para aqueles oriundos de favelas e comunidades.
Assistir a competições ao vivo em telefones celulares com transmissão digital; ou, estando fora dos estádios, receber vídeos em celulares segundos após a quebra de um recorde ou a conquista de uma medalha já são tecnologias que dominamos.
Poderemos ainda disponibilizar em locais públicos aparelhos de TV digital com tecnologia 3D, onde turistas e moradores possam interagir para obter informações mais detalhadas a respeito dos Jogos ou locais turísticos de seu interesse. Jogos interativos, tendo como cenários as belezas naturais da cidade, também são portunidades que se apresentam.
A participação, durante os Jogos, de povos de várias nacionalidades conectados em grandes redes sociais pode também ser um espaço importante para que demonstremos nossa capacidade de integrar e interagir não só no mundo “real” como “virtual”. O Brasil é sempre um dos líderes na utilização de redes sociais.
São inúmeras as oportundiades de negócio que se apresentam para a cidade e o estado. A Ri0-2016, nesse sentido, pode deixar um importante legado de transformações econômicas e de inclusão social.
Paulo César Coelho é presidente do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj).